segunda-feira, 13 de junho de 2011

Músculos...

É difícil imaginar um movimento sequer em nosso corpo que não tenha participação de músculos.
Movimentos em nosso esqueleto, manutenção do corpo em posição ereta, movimentos do globo ocular, dilatação ou constrição da pupila nos olhos, focalização da imagem na retina, grau de dilatação ou constrição dos vasos sanguíneos, movimentos do tubo digestório, etc. Em todos estes casos ocorre uma importante participação dos músculos. Uma importante característica do tecido muscular é a capacidade de alterar o seu comprimento durante o trabalho.
Podemos dividir, sob o ponto de vista histológico, os músculos em 2 grupos:
 estriados - apresentam estriações em suas fibras
 lisos - não apresentam estriações em suas fibras
Os músculos estriados, por sua vez, podem ser fisiologicamente subdivididos em 2 grupos:
 esquelético - geralmente inserem-se em ossos do esqueleto e são grandes responsáveis pela movimentação dos mesmos.
 cardíaco - apesar de ser estriado apresenta características histo-fisiológicas bastante distintas quando comparado aos músculos esqueléticos.
Os músculos lisos também, quanto às suas características histo-fisiologicas, podem ser subdivididos em 2 grupos:
 multiunitários.
 viscerais.
Músculos esqueléticos:
Um típico músculo esquelético é formado por numerosos conjuntos de fibras contráteis denominados fascículos.
Cada fascículo é constituído, por sua vez, por numerosas fibras.
A fibra apresenta uma resistente membrana que separa o seu meio interno do externo, denominada sarcolema. No interior da fibra se encontra um líquido intracelular denominado sarcoplasma. Submersos no sarcoplasma encontram-se numerosas unidades menores denominadas miofibrilas. No interior das miofibrilas encontram-se milhares de delgados filamentos protéicos: Actina e Miosina.
Vejamos, a seguir, de que forma ocorre o processo contrátil num músculo esquelético:
Os filamentos de Actina e Miosina estão dispostos entre sí de modo organizado, de tal forma que, durante o estado de excitação da fibra, deslizam-se uns sobre os outros. Tal deslizamento força um encurtamento das miofibrilas que estão no interior de uma fibra o que, consequentemente, faz com que a fibra inteira acabe também se encurtando.
Quanto maior é o número de fibras que se contraem simultaneamente durante um trabalho muscular, maior será a força de contração do mesmo.
Mas, afinal de contas, o que provoca tal deslizamento de filamentos protéicos?
Um elemento muito importante que se encontra no interior das fibras musculares e que desempenha um papel muito importante no processo contrátil é o íon cálcio. Uma grande quantidade de íons calcio se armazena no interior de enormes e numerosos retículos sarcoplasmáticos, que se encontram distribuídos no interior das fibras. A permeabilidade ao cálcio na membrana de tais retículos é normalmente pequena e, além disso, existem potentes bombas de cálcio que, ativamente, transportam os tais íons do exterior para o interior dos retículos. Por isso encontramos uma grande concentração de íons cálcio no interior dos retículos sarcoplasmáticos. Mas acontece que, ao receber um estímulo em sua placa motora, a fibra muscular se excita e, durante todo o tempo em que a mesma permanece excitada, um grande aumento na permeabilidade aos íons cálcio se verifica na membrana dos retículos sarcoplasmáticos que se encontram em seu interior. Devido ao aumento na permeabilidade aos íons cálcio, um grande fluxo destes íons se verifica do interior para o exterior do retículo sarcoplasmático. Os íons cálcio, então, liberados em grande número para fora dos retículos sarcoplasmáticos, ligam-se quimicamente nas diversas moléculas de troponina, presentes nos delgados filamentos de actina. Isso provoca o deslizamento dos filamentos de actina sobre os de miosina, tracionados pelas pontes cruzadas destes últimos, que se engatam quimicamente em determinados pontos (pontos ativos) dos filamentos de actina e os tracionam mecanicamente, como num mecanismo de roda denteada na corrente de uma bicicleta ou numa catraca ou mesmo numa cremalheira. O processo descrito acima perdura enquanto a fibra muscular se mantém excitada. A mesma se mantém excitada enquanto continua recebendo estímulos químicos através de sua placa motora. A estimulação química na placa motora se faz através da liberação de acetil-colina pela terminação nervosa motora, enquanto os potenciais de ação ocorrem e se propagam à terminação nervosa. Uma vez cessada a excitação da fibra nervosa motora, os potenciais de ação através da mesma também cessam e, consequentemente, a excitação da fibra muscular também cessa. Imediatamente a permeabilidade aos íons cálcio na membrana dos diversos retículos sarcoplasmáticos se reduz, retornando ao normal. Rapidamente, então, a quantidade de íons cálcio no exterior dos retículos sarcoplasmáticos também diminui bastante e, consequentemente, a força contrátil se desfaz, devido ao desligamento dos íons cálcio que se encontravam nos filamentos de actina. A fibra muscular, então, se relaxa.
Fatores que determinam a força de contração de um músculo esquelético durante seu trabalho:
Quanto maior é o número de fibras musculares utilizadas ao mesmo tempo, num mesmo músculo, durante uma contração do mesmo, maior será a sua força contrátil.
Num típico músculo esquelético, formado com até milhares de fibras, muitas vezes um grande número de fibras são utilizadas simultaneamente durante um trabalho de contração.
Embora cada fibra seja individual, isto é, uma vez excitada se contrai mas não passa a excitação para outra fibra qualquer, mesmo que essa outra fibra se encontre muito próxima, normalmente, um grande número de fibras num mesmo músculo são excitadas simuntaneamente.
Existem numerosas fibras que seriam inervadas, embora individualmente, por terminações de ramificações axônicas de uma mesma fibra nervosa motora. Um conjunto de fibras musculares inervadas por ramificações de uma mesma fibra nervosa motora forma aquilo que chamamos de Unidade Motora. Existem numerosas unidades motoras num mesmo músculo, de diversos tamanhos. As maiores, formadas por um grande número de fibras musculares (centenas), geralmente são inervadas por fibras nervosas motoras mais calibrosas, de baixa excitabilidade. São, portanto, mais dificilmente exitáveis e necessitam de grandes estímulos para que possam se contrair. Já as unidades motoras menores, formadas por um baixo número de fibras musculares (algumas dezenas) são, geralmente, inervadas por fibras nervosas motoras menos calibrosas e mais excitáveis. São, portanto, muito mais facilmente excitáveis e não exigindo grande intensidade de estímulos para que suas contrações ocorram.
De acordo com as afirmações descritas acima, pode-se concluir que, na medida em que se aumentam a intensidade dos estímulos numa determinada área motora do sistema nervoso central responsável pela contração de um determinado músculo esquelético, mais intensas seriam suas contrações, pois um número cada vez maior de unidades motoras naquele músculo seriam utilizados. A isto chamamos Somação de Unidades Motoras.
Outro fator importante que interfere na força de contração de um determinado músculo esquelético, é a frequência dos potenciais de ação que se dirigem às terminações axônicas que se ligam às suas placas motoras. Quanto maior a frequência de tais impulsos nervosos, maior será a quantidade de mediadores químicos (acetil-colina) siberados na placa motora muscular e, com isso, maior será a estimulação da mesma. Além disso, as repetidas e rápidas contrações musculares se somam umas às outras e, numa alta frequência, vão aumentando o estado contrátil das fibras musculares. Portanto, na medida em que aumentamos a frequência dos estímulos em um conjunto de fibras nervosas motoras que se dirigem a um músculo esquelético, mais intensas serão as contrações do mesmo devido ao que chamamos de Somação de Ondas.
Músculos lisos
Suas fibras não apresentam as estriações quando observadas na microscopia e são, portanto, lisas. São responsáveis por diversos movimentos que ocorrem, a quase todo momento, nas mais diversas estruturas presentes em nosso corpo, como:
 dilatação ou constrição pupilar
 focalização da imagem na retina (através do controle do espessamento do cristalino, no globo ocular)
 grau de constrição dos diversos vasos sanguíneos
 contração de diversas vesículas
 movimentos do tubo digestório
 movimentos de ureteres
 bexiga
 útero
 eriçamento de pelos
 etc.
Como podemos notar, são os mais variados segmentos, órgãos ou aparelhos em nosso corpo que apresentam movimentos através dos músculos lisos. Embora suas fibras não apresentem estriações, o processo contrátil é, de certa forma, um tanto semelhante ao verificado nas fibras estriadas: Ocorre, durante a contração, um deslizamento de filamentos de actina sobre os de miosina.
Mas, obviamente, existem diversas diferenças, tanto histológicas como fisiológicas, que merecem alguma descrição:
Dimensões das fibras: Tanto em largura como em comprimento, as fibras musculares lisas são bem menores em comparação com as estriadas.
Quantidade de filamentos protéicos: O número de filamentos de actina e miosina é bastante inferior ao encontrado nas fibras estriadas.
Força de contração: Devido ao menor número de filamentos protéicos, a força de contração é bem menor do que a das fibras estriadas. As contrações são também bem mais lentas e com tempo mais prolongado, pois na maioria das fibras lisas não existem retículos sarcoplasmáticos e, quando presentes, estes são pequenos e rudimentares. A maioria dos íons cálcio necessários para desencadear o processo contrátil entra nas fibras através de sua membrana, provenientes do líquido extra celular. Tanto a entrada do cálcio (por difusão simples) quanto a saída de cálcio (por transporte ativo) são lentas.
Consumo energético: Como há um pequeno número de filamentos protéicos, o consumo energético é também pequeno quando comparado àquele verificado na fibra estriada.
Estimulação do músculo: Os estímulos nas membranas das fibras para que ocorram as contrações não são provenientes de fibras nervosas motoras, como acontecem nos músculos esqueléticos. Não existem sequer placas motoras nas suas membranas. A estimulação nervosa é feita por fibras pertencentes ao sistema nervoso autônomo, que liberam os mediadores químicos (nor-adrenalina e/ou acetil colina) nas proximidades das fibras, provocando a excitação ou inibição da mesmas, dependendo da substância química liberada. Há fibras que se excitam com a nor-adrenalina e se inibem com a acetil colina, enquanto que outras fibras fazem o contrário.
Como a estimulação nervosa é feita por fibras pertencentes ao sistema nervoso autônomo, as contrações independem da nossa vontade e consciência.
Nem todos os músculos lisos são excitados ou inibidos apenas por fibras nervosas, pois muitos músculos lisos contraem-se ou relaxam-se principalmente em decorrência de estímulos ou inibições não neurais, como:
 hormônios: ocitocina - contrai músculo liso uterino e células mio-epiteliais, presentes nas mamas; progesterona - inibe as contrações uterinas durante a gestação.
 gases: gas carbônico - relaxa músculo liso da parede de vasos sanguíneos enquanto que o oxigênio faz o contrário.
 ácido lático: relaxa músculo liso da parede de vasos sanguíneos.
 adenosina: relaxa músculo liso da parede de vasos sanguíneos.
 angiotensina: contrai músculo liso da parede de vasos sanguíneos
Tipos de músculos lisos:
De acordo com certas características histológicas e funcionais, podemos dividir em 2 tipos os diversos músculos lisos que possuímos:
 Multi-unitários: Suas fibras são mais independentes umas das outras, não formando sincício funcional. São, geralmente, mais excitadas por estímulos neurais, como acetil colina ou adrenalina. Ex.: músculos pilo-eretores, músculos ciliares, íris.
 Viscerais: Existem em maior número, presentes em todas as visceras, parede de vasos sanguíneos, vesículas, ureteres, etc. Suas fibras estão dispostas de forma mais organisada, paralelas, juntando-se e separando-se umas das outras e, com isso, formando sincício entre as mesmas. São, geralmente, mais excitadas ou inibidas por estímulos não neurais, como hormônios, oxigênio, gás carbônico, ácido lático, etc.
Referências bibliográficas
1) KATCH, F. I.; KATCH, V. L.; Mc ARDLE, W. D. Fundamentos de fisiologia do exercício. 2. Ed. Rio de Janeiro: Guanabra Koogan, 2002.
2) MALAGHINI, M. C. Fisiologia muscular. Disponível em: http://www.geocities.com/~malaghini. Acesso em: 20 jun. 2003.
Nota: * Professor de Educação Física e Pós-graduado em preparação física pela Universidade Gama Filho

terça-feira, 7 de junho de 2011

SUPERBACTÉRIAS

O alerta sobre o aparecimento de uma superbactéria resistente a quase todos os antibióticos e capaz de se espalhar pelos países do globo suscitou o medo do surgimento de uma nova pandemia – poucos dias após o anúncio da OMS sobre o fim da pandemia de gripe A (H1N1). Especialistas consultados por VEJA.com acreditam que a situação merece atenção, mas não há necessidade de alarmismo e mudanças no cotidiano das pessoas. “É preciso esclarecer para a população que o conceito de ‘super’ bactéria não quer dizer que é uma bactéria capaz de destruir tudo e deixar todos doentes. É um termo que utilizamos para explicar que é uma bactéria resistente a antibióticos”, explica Luiz Fernando Aranha Camargo, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein.
Em artigo publicado pela revista científica Lancet na quarta-feira, um grupo de cientistas chamou a atenção para o isolamento de um gene (NDM-1) em dois tipos comuns de bactérias - Klebsiella pneumoniae e Escherichia coli (E.coli). Essa mutação é responsável por tornar as duas bactérias resistentes aos principais grupos de antibióticos, os carbapenens – normalmente utilizados como última tentativa em tratamentos de emergência em pacientes em que os antibióticos não fazem mais efeito.
De acordo com os cientistas britânicos, as bactérias foram levadas ao Reino Unido por pacientes que viajaram à Índia e ao Paquistão para a realização de cirurgias eletivas (cirurgias que podem ser agendadas), inclusive estéticas. “É uma bactéria que pode viajar por causa da globalização, mas ela é transmitida dentro de um ambiente hospitalar”, explica Camargo.
Segundo Ana Gales, professora de infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o grande problema de infecções causadas por bactérias como essas é que geralmente “restam pouquíssimas opções terapêuticas”. Há uma disponibilidade bastante restrita de drogas para o tratamento de infecções por bactérias resistentes e faltam estudos na área para saber sobre a eficácia delas.
“A necessidade por novas opções terapêuticas para o tratamento de infecções por bactérias multirresistentes é reconhecida pela comunidade científica. Tanto que existe uma iniciativa da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas, que resumidamente sugere que os governos americano e europeus se comprometam no desenvolvimento de pelo menos novas dez drogas antimicrobianas até 2020”, explica Gales.
Prevenção – Em tese, o controle da resistência bacteriana é simples: pode ser feito a partir do o uso de luvas e aventais, até a simples higienização das mãos. A dificuldade é que nem sempre as orientações são seguidas. “A resistência bacteriana é um problema de saúde pública. Qualquer pessoa pode ser vítima de um acidente, ou ter câncer, necessitar de internação hospitalar e acabar adquirindo uma bactéria multirresistente”, diz Gales.
Para Camargo, os hospitais precisam ficar atentos ao alerta emitido pela Lancet. “Os hospitais precisam atualizar seus mecanismos para que estejam prevenidos quando essas bactérias chegarem ao país”, afirma.

Fonte:http:veja.abril.com.br

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Fitocromo

Fitocromo:
A maior parte das respostas fotomorfogênicas das plantas está sob o controle de fotoreceptores denominados como fitocromos.
Os fitocromos se concentram em células das regiões de crescimento, responsáveis pelo desenvolvimento das plantas, tais como meristemas (primários e secundários) e regiões subapicais (zona de alongamento) de caules e raízes.
Os fitocromos são proteínas pigmentadas, formadas por dois dímeros: um cromóforo e uma apoproteína.
[Cromóforo é a parte de uma molécula responsável por sua cor; apoproteína
é a parte protéica que compõe uma proteína conjugada – ex.: lipoproteína]

A apoproteína e o cromóforo são codificados por genes nucleares, mas a apoproteína é sintetizada no citoplasma, enquanto o cromóforo é sintetizado no cloroplasto.

Histórico:
Na década de 30, Flint e McAlister demonstraram que sementes de alface apresentavam germinação máxima após irradiação com luz vermelha (V) e que a germinação era inibida após irradiação com luz vermelho-extrema (VE), também conhecida como vermelho-distante.
O estudo dos efeitos fotomorfogênicos provocados pelos diferentes componentes do espectro solar (diferentes cores, diferentes comprimentos de onda) levou o botânico Borthwick e o físico-químico Hendricks, na década de 50, à montagem de um espectógrafo, que projetava, em uma grande câmara escura, um espectro (luz solar decomposta em seus diferentes comprimentos de onda) no qual a banda correspondente ao violeta distava 2 metros da banda correspondente ao vermelho-extremo.
Assim, foi possível estudar o espectro de ação de três fenômenos: (a) porcentagem de germinação de sementes, (b) taxa de alongamento de caules e (c) porcentagem de indução de florescimento de plantas. O espectro de ação corresponde a um gráfico que relaciona os diferentes comprimentos de onda do espectro eletromagnético com as diferentes respostas fotobiológicas.
Com este estudo, verificou-se:
  1. Os espectros de ação era o mesmo nos três tipos de fenômenos estudados, com picos novermelho (V) e vermelho-distante (VE). Isto conduziu à hipótese de que um único pigmento era responsável pelo controle dos três fenômenos.
  2. Fotorreversibilidade, ou seja, o efeito da luz vermelha podiam ser revertidos pela irradiação com vermelho-extremo e vice-versa, prevalecendo a resposta desencadeada pelo último comprimento de onda aplicado sobre as plantas ou sementes.

Tabela 1. Fotorreversibilidade V-VE da germinação de sementes de alface.
Irradiação
% de Germinação a 20°C
V
70
V, VE
6
V, VE, V
74
V, VE, V, VE
6
V, VE, V, VE, V
76
V, VE, V, VE, V, VE
7

A Tabela 1 ilustra a fotorreversibilidade em sementes de alface. Neste estudo, as sementes foram separadas em grupos e embebidas no escuro durante 3 horas, e em seguida submetidas aos diferentes tratamentos luminosos por 1 minuto com luz vermelha (660 nm) ou 4 minutos com luz vermelho-distante (730 nm). Após os tratamentos, as sementes eram reconduzidas ao escuro e, após 48 horas, observou-se a porcentagem de sementes germinadas. Verificou-se que a luz V promovia a germinação, enquanto que a luz VE inibia este fenômeno.
Este experimento levou ao descobrimento de um pigmento denominado fitocromo, o qual existe sob duas formas, uma com pico de absorção no vermelho (660 nm), denominado Fv e outra com pico de absorção no vermelho-extremo (730 nm), denominado Fve.
A forma Fve é fisiologicamente ativa, sendo que a forma Fv é inativa. A conversão do fitocromo Fv a Fve é induzida por comprimento de onda no vermelho (V) e por luz azul, e a reversão de Fve a Fv é induzida por comprimento de onda no vermelho-extremo (VE) e também pelo escuro.

Vitaminas

As vitaminas compostos orgânicos, presentes nos alimentos, essenciais para o funcionamento normal do metabolismo, e em caso de falta pode levar a doenças. Não podem ser digeridas pelo ser humano, exceto em quantidades não suficientes. A disfunção de vitaminas no corpo é chamada de hipovitaminose ou avitaminose. O excesso pode trazer problemas, no caso das vitaminas lipossolúveis, de mais difícil eliminação, é chamado de hipervitaminose. Atualmente é reconhecido que os seres humanos necessitam de 13 vitaminas diferentes ,sendo que o nosso corpo só consegue produzir vitamina D.
O. As vitaminas podem ser classificadas em dois grupos de acordo com sua solubilidade. Quando solúveis em gorduras, são agrupadas como vitaminas lipossolúveis e sua absorção é feita junto à da gordura, podendo acumular-se no organismo alcançando níveis tóxicos. São as vitaminas A, D, E e K. Já as vitaminas solúveis em água são chamadas de hidrossolúveis e consistem nas vitaminas presentes no complexo B e a vitamina C. Essas não são acumuladas em altas doses no organismo, sendo eliminada pela urina. Por isso se necessita de uma ingestão quase diária para a reposição dessas vitaminas. Algumas vitaminas do Complexo B podem ser encontradas como co-fatores de enzimas, desempenhando a função de coenzimas.
Apesar de precisarem ser consumidas em pequenas quantidades, se houver deficiência de algumas vitaminas, estas podem provocar doenças específicas, como: beribéri, escorbuto, raquitismo e xeroftalmia.
São encontradas em derivados do leite, folhas verdes, frutas e óleos.
O termo vitamina surgiu em 1911 e deve-se ao bioquímico polaco Kazimierz Funk, tendo resultado da junção da palavra latina vita (vida) com o sufixo amina – pensava-se que estes nutrientes naturais, essenciais à vida, eram aminas.
As vitaminas são nutrientes importantes para o funcionamento do organismo, e protegem-no contra diversas doenças. A maior parte das vitaminas não são sintetizadas pelo organismo humano, embora o seu metabolismo normal dependa da presença de 13 vitaminas diferentes. A deficiência de vitaminas contribui para o mau funcionamento do organismo e facilita o aparecimento de doenças – avitaminoses.
Vitaminas Hidrossolúveis
 Como a designação sugere, são vitaminas solúveis em água. São absorvidas pelo intestino e transportadas pelo sistema circulatório para os tecidos onde são utilizadas. O grau de solubilidade é variável e tem influência no seu trajecto através do organismo. Podem ser armazenadas no organismo em quantidade limitada, e a sua excreção efectua-se através da urina.
As vitaminas hidrossoluveis mais importantes para o homem são: B1, B2, B5, B6, B12, C, H, M e PP.
Vitaminas Lipossolúveis
As vitaminas lipossoluveis são solúveis em gorduras. São absorvidas pelo intestino humano através da acção dos sais biliares segregados pelo fígado, e são transportadas pelo sistema linfático para diferentes partes do corpo. O organismo humano tem capacidade para armazenar maior quantidade de vitaminas lipossolúveis, do que hidrossolúveis.
As vitaminas lipossoluveis mais importantes para o homem são: A, D, E, K.  As vitaminas A e D são armazenadas sobretudo no fígado, e a vitamina E nos tecidos gordos e órgãos reprodutores.  A capacidade de armazenamento de vitamina K é reduzida.
Vitamina A
(Axeroftol – Retinol)
Grupo: vitaminas lipossoluveis.
Fonte: acerola, vegetais verdes e amarelos (alface, couve, espinafre, salsa, batata-doce, cenoura), gordura, leite, manteiga, queijo, ovo, fígado e outras vísceras, sardinha.
Função: importante para o crescimento e formação dos ossos, indispensável para a qualidade da visão, da pele e do cabelo.
Avitaminose: xeroftalmia (secura dos olhos).
Sinais e Sintomas: cegueira nocturna, fotofobia (hipersensibilidade à luz), hemorragia ocular, cegueira (casos mais graves), parosmia, alteração do paladar, desidratação da pele (com hiperqueratose e atrofia das glândulas sebáceas), desidratação das mucosas (com infecções frequentes).
Vitamina B1
(Aneurina – Tiamina – Vitamina F)
Grupo: vitaminas hidrossoluveis.
Fonte: arroz integral, brócolos, ervilha, espargo, feijão, noz, pão integral, fígado, rim, carne de porco, peixe, ovo (gema).
Necessidades diárias: entre 1 mg (crianças e mulheres) e 1,4 mg (homens).
Função: importante para o metabolismo celular, sistema nervoso e músculos.
Avitaminose: beribéri e encefalopatia de Wernicke-Korsakoff.
Sinais e Sintomas:
Carência: alteração do tacto, anorexia, depressão, dispneia, dor abdominal e torácica, fadiga, irritação fácil e nervosismo, palidez, palpitações, perda de peso, parestesias (sensação de picadas no corpo), sensação de calor nos pés (sensação de queimadura), obstipação, vómitos;
Beribéri: atrofia muscular, polineuropatia, cianose, taquicardia, hipertensão sistólica, hipotensão diastólica, distensão das veias cervicais;
Encefalopatia de Wernicke-Korsakoff: apatia, desorientação, amnésia, ataxia, nistagmo.

Vitamina B2
(Riboflavina – Vitamina G)
Grupo: vitaminas hidrossoluveis.
Fonte: cereais em grão, levedura de cerveja, vegetais de folhas verdes (couve-flor, espinafre, repolho), vegetais amarelos, leite, queijo, carnes de boi, porco e aves, fígado e rim (vaca), ovo.
Necessidades diárias: entre 1,5 mg (mulheres) e 1,7 mg (homens).
Função: importante para o metabolismo dos prótidos, lípidos e glúcidos.
Avitaminose: neuropatia.
Sinais e Sintomas: ardor e prurido ocular, fotofobia (hipersensibilidade à luz), aumento da vascularização da córnea, desidratação da pele, estomatite, glossite, depressão, letargia.
Vitamina B3
(Ácido nicotínico – Niacina – Nicotinamida – Vitamina PP)
Grupo: vitaminas hidrossoluveis.
Fonte: amendoim, cereais em grão, noz, ervilha, fava, feijão, legumes, leite, queijo, carne de aves, fígado.
Necessidades diárias: cerca de 18 mg.
Função: importante para as funções dos sistemas nervoso e digestivo, fígado e pele, acção reguladora da colestrolemia.
Avitaminose: pelagra.
Sinais e Sintomas: cefaleias, fadiga, insónia, irritabilidade fácil, dermatite (sobretudo na região cervical anterior) com descamação, edema e hiperpigmentação cutâneas, diarreia, gengivite, estomatite, demência e outras alterações cerebrais (alucinação, ansiedade, depressão, psicose, estupor).
Vitamina B5
(Ácido pantoténico)
Grupo: vitaminas hidrossoluveis.
Fonte: cereais em grão, cogumelos, legumes, milho, abacate, leite, carne de aves, fígado, ovo.
Necessidades diárias: cerca de 6 mg.
Função: importante para a produção de anticorpos e hormonas supra-renais (esteróides e cortisona), importante para o metabolismo dos prótidos, lípidos e glúcidos (conversão em energia), acção facilitadora no controlo do stress. Elemento essencial da coenzima A.
Sinais e Sintomas: cãibras, dores e cólicas abdominais, fadiga, insónia, mal-estar geral, redução na produção de anticorpos.
Vitamina B6
(Adermina – Piridoxina)
Grupo: vitaminas hidrossoluveis.
Fonte: arroz integral, aveia, batata, cereais em grão, trigo, leguminosas, banana, atum, carne de porco, vísceras.
Necessidades diárias: cerca de 2 mg.
Função: importante para o metabolismo celular (respiração celular) e das proteínas.
Sinais de carência: anemia, dermatite, gengivite, glossite, náuseas, nervosismo.

Vitamina B9
(Ácido fólico – Vitamina Bc – Vitamina M)
Grupo: vitaminas hidrossoluveis.
Fonte: vegetais de folhas verdes (couve-flor, espinafre, repolho), levedura de cerveja, fígado.
Necessidades diárias: cerca de 200 μg.
Função: ajuda a formar o ácido tetrahidrofólico, que actua como uma coenzima no metabolismo dos aminoácidos, na formação dos ácidos nucleicos, das hemácias e do tecido nervoso.
Avitaminose: anemia (megalobástica).
Sinais e Sintomas: fadiga, lassidão, palpitações, cefaleias, dispneia, irritabilidade, perda de peso, diarreia, esteatorreia, estomatite, glossite, anemia, taquicardia, palidez (quadro clínico inespecífico).
Vitamina B12
(Cianocobalamina – Cobalamina – Cobiona)
Grupo: vitaminas hidrossoluveis.
Fonte: leite, carnes vermelhas, ovo.
Necessidades diárias: cerca de 1 μg.
Função: necessária à eritropoiese, e importante para o metabolismo dos aminoácidos e ácidos nucleicos.
Avitaminose: disfunções neurológicas e hematológicas (anemia).
Sinais e Sintomas: anemia (megaloblástica), palidez, fraqueza muscular e astenia, perda de peso, dispneia, cefaleias, palpitações, ataxia, neuropatia periférica com Sinal de Romberg positivo e diminuição ou exacerbação dos reflexos, depressão, paranóia, amnésia, demência.
Vitamina C
(Ácido ascórbico)
Grupo: vitaminas hidrossoluveis.
Fonte: acerola, ananás, laranja, limão, mamão, manga, melão, morango, batata, vegetais de folhas verdes (couve-flor, couve galega, espinafre, repolho), pimentão. A acerola é o fruto mais rico em vitaminas A e C (a quantidade de vitamina C é cerca de trinta vezes superior à da laranja).
Necessidades diárias: cerca de 60 mg.
Função: importante para várias reacções bioquímicas celulares. A principal função é a hidroxilação do colagénio, uma proteína que aumenta a resistência de ossos, dentes, tendões e paredes dos vasos sanguíneos. Tem efeito antioxidante, é usada na síntese de hormonas e neurotransmissores, e contribui para o fortalecimento das defesas imunológicas do organismo.
Avitaminose: escorbuto.
Sinais e Sintomas: cicatrização difícil de ferimentos, secura da boca e dos olhos, alopécia, dentes fracos, dores articulares, gengivite, hemorragias, perda de peso, fraqueza geral, letargia, lesões escorbúticas (folículos hiperqueratósicos com halos hemorrágicos, nos membros e tronco).
Vitamina D
(Calciferol – Colecalciferol e Ergocalciferol)
Grupo: vitaminas lipossoluveis.
Fonte: fígado, ovo, peixes de água salgada, sol (favorece a produção de calciferol pelo organismo).
Necessidades diárias: cerca de 10 mg ou 400 UI.
Função: importante para o crescimento, facilita a fixação de cálcio nos ossos e dentes.
Avitaminose: raquitismo.
Sinais e Sintomas: atraso no crescimento, amolecimento do crânio, deformações ósseas, protrusão esternal, curvatura acentuada dos membros inferiores, malformação e envelhecimento precoce dos dentes, osteomalácia, raquitismo.

Vitamina E
(Tocoferol)
Grupo: vitaminas lipossoluveis.
Fonte: abacate, avelã, aveia, batata doce, brócolos, cereais integrais, noz, trigo.
Necessidades diárias: cerca de 10 mg.
Função: importante para a actividade muscular, formação de células sexuais e sanguíneas, acção antioxidante (estabilizadora das estruturas celulares).
Avitaminose: esterilidade.
Sinais e Sintomas: distrofia muscular e fraqueza, eritema papular, descamação cutânea, anemia, catarata, derrames, disfunção neurológica (sistema nervoso, olhos e músculos);  os sinais e sintomas são inespecíficos. Pensa-se que esta avitaminose favorece o aparecimento de certo tipo de neoplasias malignas (cancros).
Vitamina H
(Biotina – Vitamina B8)
Grupo: vitaminas hidrossoluveis.
Fonte: fígado, ovo, vegetais.
Função: importante para o metabolismo dos lípidos.
Sinais e Sintomas: problemas cutâneos.
Vitamina K
(Filoquinona – Naftoquinona)
Grupo: vitaminas lipossoluveis.
Fonte: arroz integral, ervilha, tomate, vegetais de folhas verdes (couve-flor, espinafre, repolho), óleos vegetais, carne, fígado, leite, microflora intestinal (fornece cerca de 50% das necessidades diárias).
Necessidades diárias: 2 mg por quilo de peso.
Função: importante na coagulação do sangue.
Avitaminose: hemorragias.
Sinais e Sintomas: aparecimento fácil de hematomas, epistaxis, hemoptises, hematuria e outros problemas hemorrágicos (sem causa aparente)
Bibliografia
Wikipedia - Vitaminas
Hurst W. Medicine for the practicing physician. Butterworth Publishers, Woburn 1993.